Importantes Decisões pedem Silêncio

por Juliana Dassie

 

Como parte da operação tradicional do meu ofício de advogar, participei inúmeras vezes de grandes e longas discussões que visavam a busca de soluções e entendimentos. Eu acreditava, realmente, que a discussão era a única e mais eficiente maneira de encontrar saídas para dilemas e conflitos. Munida da minha retórica, estratégia perfeita e tudo mais que a minha formação técnica me provinha, coloquei-me a lutar em grandes arenas do judiciário. E nesse  cenário, não só  conflituoso mas também muito barulhento, vi muitas decisões de largo impacto em vidas e corporações serem tomadas ao longo da minha carreira.

 

Na minha vida pessoal, encantada pelo universo do autodesenvolvimento, fui apresentada ao silêncio. Não que o desconhecesse, mas sempre esteve ali, na compreensão superficial de que morava na ausência da fala. Na medida em que me aprofundava no autodesenvolvimento, pude concluir que era mais que isso. A cada experiência, eu conhecia não só a dimensão do meu barulho interno, mas também percebia que na minha capacidade de silenciar e acalmar a mente, habitava uma via por onde chegavam grandes compreensões e insights. Como é sabido popularmente, a palavra meditação se refere, de maneira simplista, a prática de silenciar por um período de tempo. Com alguma periodicidade e de maneira tímida, eu visitava o silêncio e o meu interior. Então, naquele momento, eu podia dizer que meditava.

 

Com a prática, comecei a experimentar compreensões que partiam não mais somente da minha mente objetiva mas do meu centro, ou melhor, do meu centramento. Devo chamar de intuição? Não sei ao certo.

 

Depois de uma crise pessoal que provocou grandes transformações, percebi a inutilidade de me separar em áreas da vida, e decidi abrir a Dassie Advogados e  trazer ferramentas do autodesenvolvimento pessoal para o meu dia a dia no escritório profissional.

 

Nessa travessia comecei por adotar um ferramenta muito simples que é conhecida como “Apenas 1 minuto“, a qual consiste em convidar os presentes a alinhar a coluna, fechar os olhos e permanecer em silêncio por um único minuto antes de atendimentos e reuniões.

 

No início, era notório o desconforto fruto do meu nervosismo e do estranhamento de quem estava comigo. Como assim, um minuto em silêncio? Com o tempo, o conforto foi chegando e, junto dele, um alívio do tumulto interno. Já era perceptível como apenas um minuto em silêncio resulta no suficiente para  limpar minha mente do assunto anterior e ancorar a presença no novo tema. O silêncio facilitava o caminho para a empatia.

 

Já estabelecida a prática no meu escritório com parceiros e clientes, resolvi dar mais um passo. Um dia, antes de uma audiência importante, me enchi de coragem e pedi ao juiz um minuto em silêncio antes de começarmos. E para meu espanto ele concedeu e todos os presentes permaneceram em silêncio por um minuto. Naquele dia, fui incapaz de silenciar tanto era o nervosismo que me tomou. Será que fui longe demais? O que o todos iriam pensar sobre mim? Mas o fato é que a audiência resultou em um bom acordo.

 

Desde então, venho praticando e colhendo  frutos dessa prática tão simples. Silenciar por apenas um minuto amplia a percepção, acalma as emoções e o estado mental, traz clareza para todos os envolvidos facilitando um diálogo mais consciente e empático. Se os operadores do direito, praticarem o silêncio, poderão ser facilmente conectados com a verdadeira natureza do conflito, o que proporcionará soluções rápidas e satisfatórias, que muitas vezes se arrastariam por anos na Justiça, por meio de inesgotáveis recursos, devido as partes envolvidas não aceitarem a sentença proferida.

 

O minuto de silêncio é conhecido por todos e usado em momentos fúnebres para homenagear pessoas. A ideia aqui é permanecer por um minuto em silêncio, se preparando para o que há de vir. Claro, que eu ainda vivo a frustração ao me deparar com um “não” ou mesmo diante de uma situação que minha intuição afirma que devo recuar, ainda sinto um desconforto por propor algo que, apesar de ser tão  natural, por condicionamentos e crenças, nos causa estranheza.

 

Sonho um dia em que toda a classe jurídica possa tomar consciência e se utilizar de ferramentas que já habitam o nosso sistema corporal, capaz de estabelecer a paz no mundo.  

 

Para quem quiser aprofundar sobre os efeitos da meditação, segue abaixo alguns links de reportagens embasadas em estudos científicos.

 

Revista Super Interessante: MeditaçãoO Poder da mente vaziaEstudo mostra como meditação “Mindfullness” beneficia o cerebro

Revista Veja:  Meditação ganha, enfim, aval científico 

Revista Istoé : O Poder da Meditação – 1 –  O Poder da Meditação 2 

Revista Planeta: A Meditação no combate a violência

Revista Época:Meditação é o Remédio 

Artigo na Revista Oficial do conselho regional de Medicina de São Paulo. Sobre o uso da meditação para redução do stress dos médicos.